
Chemsex e suas Implicações para a Prevalência de HIV e outras ISTs entre HSH em São Paulo: Descobertas para Apoiar o Desenvolvimento de Uma Linha de Cuidado
A.P. Morais Fernandes¹, I.A. Paula², N.J. Seabra Santos², L.M. Azevedo², T.S. Reis², R. Alencar², A. Gonçalves², A. Zucoloto³, S. Pillon¹, L.A. Cepas¹, I.S. Carvalho¹, C.J.N. Ribeiro⁴, G.R.d.S. Santos⁵, J.C.S. Silva¹, T.L. Gomes¹, C. Marcheto¹, R.N.R. Melo¹, L.B. Santos¹, L. Marcheto¹, M.S. Gomes¹, R. Romeiro¹, A.L.F. Calaço¹, G.A. Falsarella¹, J.B. Sorrente¹, J.G.d.S. Netto⁶, R.P. Freitas⁶, F.E. Mesquita⁶, C.A. Sorgi⁷, A.S. Reis⁸, R. Nakamura⁹, S.V.M. Lima¹⁰, I. Fronteira¹¹, Á.F.L. Sousa¹², F. Morales¹³, T.M. Fernandes¹⁴, E.M.J. Junqueira²
¹Ribeirão Preto Nursing College of University of São Paulo, General and Specialized Nursing, Ribeirão Preto - SP, Brazil, ²Centro de Referência e Treinamento do Estado de São Paulo-DST/aids-SP, Prevenção, São Paulo, Brazil, ³Prefeitura Municipal São Paulo, Centro de Controle de Intoxicações (SMS/COVISA/DVE/PMPCI), São Paulo, Brazil, ⁴Universidade Federal de Sergipe - Campus Lagarto, Enfermagem, Lagarto, Brazil, ⁵Federal University of Sergipe, Department of Nursing, Lagarto, Brazil, ⁶Instituto Multiverso, São Paulo, Brazil, ⁷Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Química, Ribeirão Preto, Brazil, ⁸Universidade Federal da Bahia, Enfermagem, Salvador, Brazil, ⁹Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Engenharia de Computação e Sistemas Digitais, São Paulo, Brazil, ¹⁰Federal University of Sergipe, Department of Nursing, Lagarto, Brazil, ¹¹Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal, ¹²Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Enfermagem, Tres Lagoas, Brazil, ¹³University of Sevilla, Department of Preventive Medicine and Public Health, Sevilla, Spain, ¹⁴Universidade Lusófona, Lisbon, Portugal
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Detalhes
Contexto
O uso de substâncias psicoativas em contextos sexuais (chemsex) tem sido associado a múltiplos parceiros, sexo em grupo e relações sexuais sem preservativo, aumentando a vulnerabilidade às ISTs. No Brasil, as evidências baseadas em testes sobre o HIV e outras ISTs entre praticantes de chemsex continuam limitadas.
Estimar a prevalência de HIV, sífilis e hepatites B e C entre usuários de serviços de testagem de ISTs em São Paulo e comparar essas taxas de prevalência entre praticantes e não praticantes de chemsex.
Objetivos
Metodologia
Foi realizado um estudo transversal analítico em serviços de testagem e aconselhamento em IST/HIV em São Paulo. Foram incluídos indivíduos com idade $\ge18$ anos que realizaram teste rápido para pelo menos uma IST. Os dados foram coletados presencialmente por meio de um questionário estruturado no REDCap®, avaliando características sociodemográficas, práticas sexuais, estratégias de prevenção e uso de drogas antes ou durante o sexo. O chemsex foi definido como o uso autorreferido de substâncias psicoativas em contexto sexual. Todos os participantes foram testados para HIV, sífilis, hepatite B (VHB) e hepatite C (VHC) de acordo com os protocolos do serviço. As estimativas de prevalência foram calculadas de forma global e estratificadas pela prática de chemsex.
Um total de 1.600 participantes foi incluído. A mediana de idade foi de 29 anos (IIQ: 23–39) e 53,2% se identificaram como brancos. Em relação à identidade de gênero, 41,8% eram homens cisgênero, 31,1% mulheres cisgênero e 24,0% pessoas transgênero. Metade relatou atração exclusiva por homens e a mediana do número de parceiros sexuais nos últimos seis meses foi três. No geral, 404 participantes (25%) relataram a prática de chemsex. A prevalência global foi de 7,0% para o HIV, 3,8% para a sífilis, 0,8% para o VHB e 0,7% para o VHC. Entre os praticantes de chemsex, as prevalências foram maiores: HIV 10,6%, sífilis 12,0%, VHB 1,1% e VHC 1,3%. Entre os não praticantes, as prevalências foram de 5,8%, 1,7%, 0,6% e 0,2%, respectivamente. Os participantes que praticavam chemsex relataram uma mediana de seis parceiros sexuais nos últimos seis meses, contra três entre os não praticantes, indicando maior exposição sexual.
Resultados
Conclusões
A prevalência de ISTs foi substancialmente maior entre os praticantes de chemsex. Esses achados destacam a necessidade de triagem rotineira para o uso sexualizado de drogas, ampliação da testagem de ISTs e intervenções sob medida de prevenção combinada e redução de danos nos serviços de IST/HIV.
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