
Liderança comunitária, retenção de conhecimento e sustentabilidade na resposta ao HIV no Brasil: uma avaliação qualitativa de dez anos de uma iniciativa liderada por jovens
F.E. de Mesquita¹ ², J.G. da Silva Netto³, G. Weder⁴, F. dos Santos Paixão⁵, A. Spunchiatto⁶
¹Universidade São Judas Tadeu - Medicina - Campus Cubatão, Docência e Mobilização Comunitária, Cubatão, Brazil, ²Instituto Multiverso, Educomunication for Human Rights and Health, São Paulo, Brazil, ³Instituto Multiverso, Coordenação Geral, Goiânia, Brazil, ⁴Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte, Hospital Giselda trigueiro, Natal, Brazil, ⁵Instituto Projetar, Comunicação em Saúde, Macapá, Brazil, ⁶Universidade Estadual de Campinas, Departamento de Humanidades da Faculdade de Educação Física (FEF) da UNICAMP, Campinas, Brazil
Resumindo
Celebrando um marco histórico, este documento apresenta os impactos de dez anos de engajamento social na resposta ao HIV no Brasil, evidenciando como o protagonismo jovem transforma a saúde pública. O estudo detalha as trajetórias de ativistas formados entre 2015 e 2026, revelando que os ensinamentos baseados em direitos humanos e aprendizado entre pares vão muito além de simples treinamentos. A pesquisa enfatiza que, ao valorizar profundamente as experiências vividas e colocar no centro das estratégias as populações mais vulnerabilizadas (como a juventude LGBTQIA+, pessoas negras, indígenas e profissionais do sexo), a iniciativa construiu uma rede altamente resiliente contra o estigma e a discriminação contínuos. A retenção duradoura do conhecimento adquirido demonstra que o empoderamento comunitário e a exposição precoce a papéis de liderança são essenciais para manter o engajamento a longo prazo. Em suma, o trabalho reforça a urgência de modelos sustentáveis voltados para as juventudes, assegurando que continuem a ocupar espaços decisivos e a defender ativamente políticas públicas inclusivas no Brasil.
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Detalhando
Contexto
O uso de substâncias psicoativas em contextos sexuais (chemsex) tem sido associado a múltiplos parceiros, sexo em grupo e relações sexuais sem preservativo, aumentando a vulnerabilidade às ISTs. No Brasil, as evidências baseadas em testes sobre o HIV e outras ISTs entre praticantes de chemsex continuam limitadas.
Estimar a prevalência de HIV, sífilis e hepatites B e C entre usuários de serviços de testagem de ISTs em São Paulo e comparar essas taxas de prevalência entre praticantes e não praticantes de chemsex.
Objetivos
Metodologia
Foi realizado um estudo transversal analítico em serviços de testagem e aconselhamento em IST/HIV em São Paulo. Foram incluídos indivíduos com idade $\ge18$ anos que realizaram teste rápido para pelo menos uma IST. Os dados foram coletados presencialmente por meio de um questionário estruturado no REDCap®, avaliando características sociodemográficas, práticas sexuais, estratégias de prevenção e uso de drogas antes ou durante o sexo. O chemsex foi definido como o uso autorreferido de substâncias psicoativas em contexto sexual. Todos os participantes foram testados para HIV, sífilis, hepatite B (VHB) e hepatite C (VHC) de acordo com os protocolos do serviço. As estimativas de prevalência foram calculadas de forma global e estratificadas pela prática de chemsex.
Um total de 1.600 participantes foi incluído. A mediana de idade foi de 29 anos (IIQ: 23–39) e 53,2% se identificaram como brancos. Em relação à identidade de gênero, 41,8% eram homens cisgênero, 31,1% mulheres cisgênero e 24,0% pessoas transgênero. Metade relatou atração exclusiva por homens e a mediana do número de parceiros sexuais nos últimos seis meses foi três. No geral, 404 participantes (25%) relataram a prática de chemsex. A prevalência global foi de 7,0% para o HIV, 3,8% para a sífilis, 0,8% para o VHB e 0,7% para o VHC. Entre os praticantes de chemsex, as prevalências foram maiores: HIV 10,6%, sífilis 12,0%, VHB 1,1% e VHC 1,3%. Entre os não praticantes, as prevalências foram de 5,8%, 1,7%, 0,6% e 0,2%, respectivamente. Os participantes que praticavam chemsex relataram uma mediana de seis parceiros sexuais nos últimos seis meses, contra três entre os não praticantes, indicando maior exposição sexual.
Resultados
Conclusões
A prevalência de ISTs foi substancialmente maior entre os praticantes de chemsex. Esses achados destacam a necessidade de triagem rotineira para o uso sexualizado de drogas, ampliação da testagem de ISTs e intervenções sob medida de prevenção combinada e redução de danos nos serviços de IST/HIV.
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