top of page

MÓDULO 1: Quem somos. Identidades, corpos e diversidade

Atualizado: há 1 dia




ree

Clique aqui e veja uma mensagem para você!

Vamos começar essa jornada juntos. Fico muito feliz que você tenha chegado até aqui, à nossa plataforma de ensino do Instituto Multiverso.


Somos educadores e ativistas e já vimos muita coisa nesses muitos anos de vida e luta, sabemos que às vezes a gente quer pular direto para a ação: queremos ir para a rua, queremos mudar as leis, queremos gritar contra as injustiças. E vamos fazer isso. Mas, antes de tudo, precisamos olhar para dentro. Precisamos entender a ferramenta mais importante de qualquer ativismo: nós mesmos.


Originalmente, pensamos em fazer oficinas presenciais, olhar no olho, tomar um café. A vida e os desafios de recursos nos fizeram mudar a rota, mas vejo isso como uma oportunidade incrível. Agora, através desta plataforma, não estamos limitados a uma sala com quatro paredes. Podemos chegar a qualquer hora, a qualquer lugar do Brasil onde haja alguém querendo entender quem é e como lutar por seus direitos.


Esta aula é longa, densa e feita com muito carinho. Prepare um café, sente-se confortavelmente e vamos mergulhar no Módulo 1: Quem Somos. Identidades, Corpos e Diversidade.



O Porquê de Começar pelo Espelho


Você já parou para pensar por que é tão difícil para a sociedade entender quem somos? Por que nossa existência causa tanto incômodo, tanta dúvida e, infelizmente, tanta violência?


A resposta passa pelo fato de que a maioria de nós cresceu aprendendo uma "biologia" e uma "moral" que não dão conta da realidade. Ensinaram-nos que o mundo é preto no branco, que só existem duas caixas (azul e rosa), e que tudo o que foge disso é erro, doença ou pecado.


O objetivo deste módulo não é apenas passar conceitos teóricos. O objetivo é te dar armadura e vocabulário. Saber quem somos é o primeiro passo para lutar por direitos. Quando você entende que sua identidade não é uma "escolha" ou uma "fase", mas uma construção legítima e profunda, ninguém mais consegue te diminuir. E, mais importante: quando você aprende isso, você se torna capaz de ensinar. Você se torna um multiplicador.


Vamos desconstruir esse quebra-cabeça em quatro peças fundamentais que costumam ser confundidas: Sexo Biológico, Identidade de Gênero, Expressão de Gênero e Orientação Sexual.


A Biologia Não é Binária: O Mito dos Dois Sexos


Vamos começar pelo que parece mais "concreto": o corpo biológico. Durante a escola, quase todos nós aprendemos que existem apenas machos (XY) e fêmeas (XX). Ponto. Se você nasceu com pênis, é menino; se nasceu com vagina, é menina. Essa simplificação serviu para organizar a sociedade por séculos, mas ela esconde uma verdade científica fascinante: a natureza odeia caixas rígidas.


O que chamamos de "sexo biológico" não é uma coisa única. É um conjunto de fatores:


  1. Cromossomos: (XX, XY, mas também XXY, X0, XXX...);

  2. Hormônios: (Testosterona, estrogênio, progesterona, em níveis que variam muito);

  3. Gônadas: (Ovários, testículos);

  4. Anatomia genital interna e externa.


A biologia contemporânea já provou que o corpo humano não se divide perfeitamente em dois lados opostos. Existem variações naturais enormes. É aqui que precisamos falar sobre as pessoas intersexo.


A Existência Intersexo


Imagine que cerca de 1,7% da população mundial nasce com características sexuais que não se encaixam nas definições típicas de masculino ou feminino. Isso é, estatisticamente, quase a mesma quantidade de pessoas ruivas no mundo. Você diria que pessoas ruivas não existem ou são um "erro" da natureza? Não. Elas são apenas uma variação natural.


Pessoas intersexo podem ter uma anatomia genital ambígua, ou podem ter uma aparência externa tipicamente feminina mas cromossomos XY, ou qualquer outra combinação. O problema nunca foi o corpo dessas pessoas. O problema foi a medicina e a sociedade que, por não aceitarem a ambiguidade, decidiram "corrigir" esses corpos.


Historicamente, bebês intersexo foram submetidos a cirurgias mutiladoras logo após o nascimento, sem consentimento, apenas para que sua genitália se parecesse com o que a sociedade espera de um "menino" ou de uma "menina" . Isso gerou traumas profundos, perda de sensibilidade, esterilização forçada e dores crônicas.


Para o nosso ativismo, o que isso significa? Significa que o argumento de que "Deus fez homem e mulher" ou "é biologia básica" é falso. A própria natureza é diversa. Defender os direitos humanos é defender que corpos intersexo tenham o direito à integridade física, que não sejam operados sem seu consentimento e que a diversidade biológica seja celebrada, não escondida.


Identidade de Gênero: A Verdade que Vem de Dentro


Se o sexo biológico fala de cromossomos e anatomia, a Identidade de Gênero fala de quem você é. É o reconhecimento íntimo, profundo e subjetivo que cada pessoa tem sobre si mesma.

Não está nas pernas, não está na roupa. Está na consciência.


Cisgeneridade e Transgeneridade


  • Cisgênero: É a pessoa que se identifica com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer. O médico olhou o ultrassom, disse "é menino", e essa pessoa cresceu e se sente, de fato, um homem. A maioria da população é cis, e por isso o mundo é construído para elas (cisnormatividade).

  • Transgênero: É a pessoa cuja identidade interna diverge do gênero que lhe foi atribuído ao nascer. O médico disse "é menino", mas essa pessoa, ao crescer, sabe, sente e entende que é uma mulher. Ou vice-versa.


É fundamental entender: ser trans não é uma doença, não é um distúrbio e não é uma escolha. Ninguém "escolhe" sofrer preconceito. É uma realidade existencial. A autodeclaração é a base ética de tudo: uma pessoa é quem ela diz que é. Você não precisa de laudo, não precisa de cirurgia e não precisa de hormônios para ter sua identidade respeitada.


A Potência das Identidades Não Binárias


O mundo tenta nos dizer que só existem duas opções. Mas muitas pessoas olham para essas duas opções (homem e mulher) e dizem: "nenhuma delas me representa". Ou dizem: "as duas me representam". Ou ainda: "minha identidade flui entre elas".


Pessoas não binárias rompem com a lógica de que tudo precisa ser A ou B. Elas enfrentam uma violência específica: a invalidação constante. Ouvem que estão "confusas" ou que é "moda". Nosso papel, como ativistas e educadores, é afirmar: identidades não binárias sempre existiram, em diversas culturas ancestrais, indígenas e africanas, muito antes do colonizador europeu chegar aqui e impor suas regras.


A Identidade Travesti: Política e Resistência Brasileira


Aqui no Brasil (e na América Latina), temos algo muito nosso, muito potente: a identidade Travesti.


Muitas vezes, a sociedade usa essa palavra como xingamento. Mas nós a reivindicamos como política. A travesti não é apenas uma "mulher trans que não fez cirurgia X ou Y". A travestilidade é uma identidade cultural, política e histórica construída por mulheres que foram expulsas de casa, da escola e do mercado de trabalho, e que precisaram criar suas próprias redes de sobrevivência, sua linguagem (o pajubá), sua estética e sua forma de amar .


Dizer-se travesti no Brasil é um ato revolucionário. É dizer: "eu sobrevivi ao Estado que quis me matar". É uma identidade que merece ser escrita com letra maiúscula. Entender a travesti é entender a história da resistência LGBTI+ no nosso país. Elas estiveram na linha de frente de todas as nossas conquistas, muitas vezes protegendo com o próprio corpo quem vinha atrás.


Expressão de Gênero: Como o Corpo Fala com o Mundo


Agora, vamos falar do visível. Enquanto a identidade é interna (como eu me sinto), a Expressão de Gênero é como eu comunico isso para o mundo.


É o corte de cabelo, a roupa, a maquiagem, os gestos, a forma de andar, o tom de voz. A sociedade criou regras rígidas: "homem não usa saia", "mulher não senta de perna aberta", "homem não chora", "mulher tem que ser delicada".


A expressão de gênero é o campo onde a liberdade deveria reinar, mas é onde a violência policial e social acontece com mais frequência. Por quê? Porque é o que se vê.


  • O menino considerado "afeminado" sofre bullying na escola não porque sabem com quem ele vai dormir no futuro, mas porque sua expressão desafia a masculinidade frágil dos outros.

  • A menina "masculinizada" é atacada porque recusa a submissão estética que esperam dela.


É importante separar:


  • Uma mulher (identidade) pode ter uma expressão masculina (roupas largas, cabelo curto) e continuar sendo mulher.

  • Um homem (identidade) pode usar maquiagem e esmalte (expressão) e continuar sendo homem.

  • Pessoas não binárias podem transitar por todas essas estéticas.


O Ponto Chave para o Ativismo: Grande parte da nossa luta é pelo direito à estética e ao comportamento. É o direito de não ser agredido na rua por andar de um jeito "diferente". É o direito de uma criança brincar com o que quiser sem ser reprimida. Ensinar sobre expressão de gênero é ensinar sobre liberdade. Não existe jeito certo de ser homem, de ser mulher ou de ser pessoa.


Orientação Sexual: O Desejo e o Afeto


Chegamos à quarta peça do quebra-cabeça. Se identidade é quem eu sou, Orientação Sexual é para quem meu desejo aponta. Por quem eu me apaixono? Por quem eu sinto atração?.


Aqui, precisamos derrubar o mito da "opção sexual". Ninguém acorda numa terça-feira e decide: "hoje vou ser gay e enfrentar preconceito da família". A orientação sexual é uma característica inerente ao ser humano. Ela flui.


Podemos dividir a orientação em três camadas para entender melhor :


  • Desejo: O impulso íntimo, a fantasia, a atração física.

  • Afeto: A conexão emocional, o querer cuidar, o amor romântico.

  • Comportamento: O que eu faço na prática.


Isso é importante porque explica muitas vivências. Por exemplo:


  • Uma pessoa pode ter desejo por pessoas do mesmo gênero, mas, por medo ou repressão religiosa, nunca ter tido um comportamento correspondente (nunca ficou com ninguém). Ela deixa de ser gay ou lésbica por isso? Não.

  • Uma pessoa bissexual pode estar namorando alguém do gênero oposto. Ela virou hétero? Não. O desejo e a potencialidade do afeto continuam lá.


Desconstruindo a Hierarquia: A nossa cultura colocou a heterossexualidade num pedestal, como se fosse o "normal", o "natural" e o "saudável". Tudo o que foge disso (homossexualidade, bissexualidade, pansexualidade, assexualidade) foi tratado como desvio. Mas a história humana mostra o contrário. Povos indígenas, a Grécia antiga, culturas asiáticas... o desejo pelo mesmo sexo sempre existiu. A criminalização e o pecado foram invenções coloniais para controlar corpos e heranças.


  • Lésbicas: Mulheres que se atraem por mulheres. Enfrentam a invisibilidade dupla (por serem mulheres e por serem gays) e a fetichização masculina.

  • Gays: Homens que se atraem por homens.

  • Bissexuais: Pessoas que se atraem por mais de um gênero. Enfrentam a bifobia, sendo chamadas de "indecisas" tanto por héteros quanto por gays, o que é um grande erro.

  • Pansexuais: Pessoas que se atraem pelas pessoas, independentemente de gênero ou identidade.

  • Assexuais: Pessoas que sentem pouca ou nenhuma atração sexual, mas podem sentir atração romântica e afetiva. Elas nos ensinam que o sexo não é a única forma de conexão humana.


A Sopa de Letrinhas e a Interseccionalidade: Somos Plurais


Você já deve ter ouvido alguém dizer: "Ah, mas pra que tanta letra? LGBTIQP+... a cada dia inventam uma nova". Nossa resposta, como educadores, deve ser calma e firme: Cada letra é uma vida que saiu do escuro.


Quando adicionamos uma letra à sigla, não estamos complicando; estamos dizendo a um grupo de pessoas: "Nós vemos vocês. Vocês existem. Vocês importam". A invisibilidade mata. Nomear é dar existência.


Mas a comunidade não é um bloco único. Somos diversos e, muitas vezes, desiguais entre nós mesmos. É aqui que entra um conceito fundamental: a Interseccionalidade.


Não dá para achar que a vivência de um homem gay, branco, cis, de classe média alta em São Paulo é a mesma de uma travesti, negra, periférica no interior do Nordeste. Ambos são LGBTI+, ambos sofrem preconceito, mas as intensidades e os riscos são brutalmente diferentes.


  • Raça: O racismo potencializa a LGBTfobia. A solidão da pessoa negra LGBTI+ é diferente. A violência policial contra o jovem negro gay é mais letal.

  • Classe: O dinheiro compra "conforto" e "segurança". Quem tem recursos pode pagar médicos particulares, pode morar em bairros seguros. Quem é pobre depende do SUS (que é nosso grande aliado, mas tem falhas) e está exposto à violência do território.

  • Território: Ser LGBTI+ na capital é uma coisa; ser LGBTI+ na zona rural, onde a vigilância da vizinhança é constante e não há para onde fugir, é outra.


Como ativistas, não podemos lutar apenas pelos direitos "iguais". Temos que lutar pelos direitos dos mais vulneráveis da nossa própria comunidade. Se a travesti negra não for livre, o gay branco também não é, de verdade. Nossa liberdade é coletiva.


Corpos como Território de Disputa Política


Para fechar este primeiro módulo, quero trazer uma reflexão um pouco mais filosófica, mas muito prática.


Seu corpo é um ato político.


Parece frase de camiseta, mas é a realidade mais crua que vivemos. Numa sociedade que foi projetada para que fôssemos heterossexuais e cisgêneros, o simples ato de levantar da cama, vestir-se como você gosta e sair na rua sendo quem você é, é uma afronta ao sistema.


O corpo é onde as normas são escritas. A escola tenta controlar o cabelo, a igreja tenta controlar o desejo, a lei tenta controlar o nome. Mas o corpo também é onde a revolução começa.


  • Quando uma pessoa trans retifica seu nome no cartório, ela está reescrevendo a história oficial.

  • Quando dois homens andam de mãos dadas, eles estão rasgando a cartilha da "macheza" tóxica.

  • Quando uma família acolhe uma filha lésbica, eles estão quebrando o ciclo de ódio.


Nossos corpos carregam memórias. Carregam as cicatrizes das pedras que atiraram, sim, mas carregam também a memória dos beijos que trocamos, das festas que fizemos, do acolhimento que demos uns aos outros.

Entender "Quem Somos" não é um exercício de egoísmo. É a base para sabermos o que defender. Se eu sei que minha identidade é legítima, eu não aceito menos que cidadania plena. Se eu sei que a biologia é diversa, eu não aceito argumentos pseudo-científicos de exclusão. Se eu sei que somos plurais, eu não deixo ninguém para trás.


O Que Vem Pela Frente?


Este foi apenas o começo. Agora que estabelecemos quem somos, nos próximos conteúdos desta plataforma, vamos expandir nosso olhar:


  • Vamos olhar para onde estamos (o território e suas desigualdades);

  • Vamos entender quais são nossos direitos (leis, constituição, mecanismos internacionais);

  • E vamos aprender como lutar (advocacy, comunicação, projetos).


O Instituto Multiverso nasceu para ser essa rede de apoio, ação e afeto. Queremos que você, aí do outro lado da tela, sinta-se parte disso. Use este conhecimento. Converse sobre isso no jantar de família, na roda de amigos, no trabalho. O conhecimento é a única coisa que cresce quando a gente divide.



MATERIAL COMPLEMENTAR (Para aprofundamento)


Para quem gosta de ir além, separamos alguns tópicos rápidos para desmistificar conceitos comuns que atrapalham nosso entendimento. Chamamos de "Mito ou Verdade: Edição Identidade".


  1. "Ideologia de Gênero"

    1. O que dizem: Que ativistas querem destruir a família e transformar meninos em meninas nas escolas.

    2. A Realidade: Esse termo não existe no meio acadêmico. É uma invenção política criada para gerar pânico moral. O que fazemos é "Estudos de Gênero": analisamos como a sociedade cria expectativas sobre homens e mulheres e tentamos tornar essas expectativas menos violentas e opressoras. Queremos que as crianças sejam livres para serem crianças, sem serem obrigadas a caber em caixas que as machucam.


  2. "Bissexualidade é confusão"

    1. O que dizem: Que a pessoa bi está "em cima do muro" e uma hora vai decidir.

    2. A Realidade: A bissexualidade é uma orientação completa e estável. A capacidade de amar pessoas de mais de um gênero não é indecisão, é amplitude. Uma pessoa pode ser bi a vida toda, independentemente de com quem esteja casada no momento.


  3. "Ser trans é uma doença mental"

    1. O que dizem: Que é um transtorno que precisa de tratamento psiquiátrico.

    2. A Realidade: A Organização Mundial da Saúde (OMS) já retirou a transexualidade da lista de doenças mentais. Ser trans é uma variação da diversidade humana. O sofrimento que pessoas trans sentem não vem de ser trans, mas de viver numa sociedade que as rejeita, agride e exclui . A "cura" não é mudar a pessoa, é mudar a sociedade.


  4. "Só existe preconceito fora da comunidade"

    1. O que dizem: Que somos todos unidos e nos amamos.

    2. A Realidade: Infelizmente, reproduzimos os preconceitos do mundo lá fora. Existe racismo entre gays, existe transfobia vinda de pessoas cis LGB, existe gordofobia, existe capacitismo. Parte do nosso trabalho de "Quem Somos" é olhar no espelho e ver onde nós mesmos estamos sendo opressores com as letras vizinhas da nossa sigla.


Vídeo


Podcast


Infográfico

ree


Roteiro de Reflexão Individual

(Sugerimos que você anote essas respostas para si mesmo, como um diário de bordo desta formação)


  1. Memória: Qual foi a primeira vez que você percebeu que existiam pessoas diferentes da norma (homem/mulher, hétero)? Como isso foi apresentado a você? Com medo? Com naturalidade? Com piada?

  2. Identidade: Se você pudesse se descrever sem usar as palavras "homem" ou "mulher", como você descreveria quem você é por dentro?

  3. Corpo: De que maneiras o seu corpo já foi "vigiado" ou "policiado" por outras pessoas? (Pode ser pelo cabelo, pela roupa, pelo peso, pelo jeito de andar).

  4. Território: O lugar onde você mora hoje permite que você seja quem você é integralmente? Ou você precisa "esconder" partes de si para se sentir seguro?



* Este conteúdo faz parte do projeto "Fortalecendo Vozes LGBTI+", realizado pelo Instituto Multiverso com apoio da MPact Global Action. Nosso compromisso é com a educação acessível e a defesa intransigente dos direitos humanos na América Latina e Caribe.


 
 
 

Comentários


bottom of page