MÓDULO 4: O Brasil no papel. Constituição, leis e políticas LGBTI+
- Synô Milía (Multiverso)

- 17 de dez. de 2025
- 12 min de leitura

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Olá! Que bom que você continua firme nessa jornada. Isso mostra que o desejo de transformação é maior que o cansaço. E acredite, eu sei o quanto é cansativo lutar o tempo todo.
Já passamos por três etapas fundamentais. No Módulo 1, olhamos para nós mesmos, entendendo que nossa identidade é legítima. No Módulo 2, olhamos para o chão que pisamos, entendendo como o território influencia nossa vida. No Módulo 3, viajamos para o cenário internacional, entendendo como o mundo vigia os direitos humanos.
Agora, no Módulo 4: O Brasil no Papel. Constituição, Leis e Políticas LGBTI+, nós pousamos de volta em solo brasileiro.
Este módulo é, talvez, o mais contraditório de todos. E digo isso porque o Brasil é um país de contrastes brutais. Temos uma das Constituições mais avançadas e humanistas do planeta, escrita com o suor de quem sobreviveu a uma ditadura. Temos um Sistema Único de Saúde (SUS) que é exemplo mundial de universalidade. Temos uma Suprema Corte que reconheceu nossos direitos quando o Congresso nos virou as costas.
Mas, ao mesmo tempo, somos o país que mais mata pessoas trans. Somos o país onde leis existem, mas "não pegam". Somos o país onde a distância entre o que está escrito no papel e o que acontece na esquina da sua casa pode ser medida em anos-luz.
Neste módulo, vamos dissecar o Estado Brasileiro. Não vamos decorar leis para passar em concurso. Vamos entender as regras do jogo. Vamos entender quais armas jurídicas já temos nas mãos, onde estão os buracos da legislação e, o mais importante: como fazer o Estado funcionar para quem ele insiste em ignorar.
Prepare-se para entender o Brasil que temos, para podermos construir o Brasil que queremos.
O Pacto de 1988: A Constituição Cidadã e a Promessa de Dignidade
Para entender os direitos LGBTI+ no Brasil, precisamos voltar a 1988. O país saía de 21 anos de Ditadura Militar. Foram anos de censura, perseguição, tortura e silenciamento. Quando o regime caiu, a sociedade brasileira tinha uma urgência: escrever um novo pacto. Precisávamos dizer para nós mesmos e para o mundo: "Nunca mais".
Foi assim que nasceu a nossa Constituição Federal, apelidada carinhosamente de Constituição Cidadã. Por que esse nome? Porque ela inverteu a lógica. Antes, o Estado mandava e o cidadão obedecia. Em 1988, dissemos que todo poder emana do povo e que o Estado existe para servir à dignidade humana.
A Dignidade como Bússola
O artigo 1º da Constituição diz que um dos fundamentos da República é a "Dignidade da Pessoa Humana". Isso parece abstrato, mas é a base de tudo. Significa que o Estado brasileiro não pode tratar ninguém como "coisa", como "lixo" ou como "erro". Mesmo que a Constituição de 88 não tenha escrito com todas as letras "é proibido discriminar gays, lésbicas e travestis" (porque o Congresso da época era muito conservador para isso), ela deixou uma porta aberta: o princípio da dignidade.
Se a dignidade é para todos, e se eu sou humano, então eu tenho direito a tudo o que garante essa dignidade: família, identidade, segurança e liberdade. Foi com base nesse princípio que, décadas depois, conseguimos nossas maiores vitórias no Judiciário. O princípio da dignidade é o "coringa" que usamos quando a lei específica não existe.
A Igualdade "Sem Distinção"
Outro ponto crucial é o Artigo 5º, que diz que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza". Note a expressão: "qualquer natureza". Ativistas e juristas usaram essa brecha para dizer: "Olha, orientação sexual e identidade de gênero são 'naturezas' humanas. Logo, não pode haver distinção". A Constituição prometeu um país onde ninguém seria cidadão de segunda classe.
Mas nós sabemos que, na prática, o papel aceita tudo. A Constituição proíbe o racismo, mas o racismo estrutura o Brasil. A Constituição garante saúde, mas as filas existem. A Constituição é, portanto, uma promessa em disputa. Ela não é um retrato do Brasil real; ela é um projeto do Brasil ideal. E nosso trabalho como ativistas é cobrar que esse projeto seja entregue.
O Supremo Tribunal Federal (STF): O Guardião (e o Protagonista) dos Nossos Direitos
Se você olhar para a história recente dos direitos LGBTI+ no Brasil, vai perceber algo curioso: quase todas as nossas grandes conquistas vieram de um prédio em Brasília, o Supremo Tribunal Federal (STF), e não do Congresso Nacional.
Por que isso acontece? O Brasil vive uma crise de representatividade. O Congresso Nacional (Câmara e Senado) é historicamente dominado por bancadas conservadoras, fundamentalistas religiosas e ligadas ao agronegócio e à segurança pública (a famosa bancada do "Boi, Bíblia e Bala"). Nesse cenário, projetos de lei que beneficiam a população LGBTI+ ficam parados por décadas nas gavetas, enquanto projetos que tentam retirar nossos direitos (como a proibição da "linguagem neutra" ou o fim do casamento homoafetivo) ganham tração rápida .
Diante da omissão do Legislativo, o movimento LGBTI+ adotou uma estratégia inteligente: Litigância Estratégica. Ou seja, "já que o Congresso não faz a lei, vamos pedir para o STF garantir o direito com base na Constituição". E funcionou. O STF assumiu o papel de guardião das minorias contra a maioria conservadora.
Vamos relembrar as três decisões históricas que mudaram nossas vidas:
União Estável e Casamento (2011)
Até 2011, casais do mesmo sexo viviam num limbo jurídico. Se um morria, o outro não tinha direito à herança, à pensão, a nada. Eram tratados como "sócios" ou "amigos". O STF julgou a ADI 4277 e a ADPF 132 e disse: "Ninguém é menos família que ninguém". O tribunal reconheceu que o afeto é o que define a família, não o gênero das partes. Isso garantiu:
Herança e pensão;
Inclusão em planos de saúde;
Adoção conjunta;
E, posteriormente, a conversão da união estável em Casamento Civil.
Isso tirou milhões de brasileiros da invisibilidade. Foi a afirmação de que nosso amor vale tanto quanto qualquer outro.
Identidade de Gênero e Nome Social (2018)
Essa talvez seja a decisão mais bonita sobre dignidade. Antes de 2018, uma pessoa trans que quisesse mudar seus documentos precisava entrar na justiça, contratar advogado, passar por perícias médicas humilhantes, provar que fez cirurgia ou apresentar laudos psiquiátricos dizendo que tinha um "transtorno". O Estado tratava a identidade trans como doença ou fraude.
Na ADI 4275, o STF disse: Basta. A Corte decidiu que a identidade de gênero é autodeterminada. Você é quem você diz que é. Hoje, qualquer pessoa trans maior de 18 anos pode ir direto ao cartório e mudar seu nome e gênero na certidão de nascimento:
Sem cirurgia;
Sem hormônios;
Sem laudo médico ou psicológico;
Sem processo judicial .
Isso é cidadania na veia. É o Estado reconhecendo a existência da pessoa.
Criminalização da LGBTfobia (2019)
O Brasil tem leis contra o racismo desde 1989. Mas nunca teve lei contra homofobia ou transfobia. O STF, na ADO 26, entendeu que o Congresso estava sendo omisso. A Constituição manda punir "qualquer discriminação", e o Congresso não estava fazendo isso. Então, o STF decidiu: enquanto não houver lei específica, a LGBTfobia será punida pela Lei do Racismo (Lei 7.716/89).
Isso significa que:
Ofender a dignidade de alguém por ser LGBTI+ é crime;
Barrar entrada em estabelecimentos é crime;
Negar emprego é crime;
E é um crime inafiançável e imprescritível .
Atenção: O STF não "criou" uma lei (ele não pode fazer isso). Ele "enquadrou" a conduta numa lei que já existia. Foi uma "gambiarra jurídica" necessária para salvar vidas.
O Vazio Legislativo: Leis que Protegem no Papel e Ausências que Ferem
Apesar das vitórias no STF, vivemos uma fragilidade imensa: a Ausência de Leis. No Brasil, vivemos de decisões judiciais e decretos, não de leis federais aprovadas pelo povo (via Congresso). Isso é perigoso. Por quê?
Segurança Jurídica: Uma decisão do STF pode ser revista no futuro (embora difícil). Uma lei é mais sólida.
Conhecimento Público: Todo mundo sabe que "racismo é crime" porque tem lei há 30 anos. Pouca gente sabe que "homofobia é crime" porque é uma decisão complexa de tribunal.
Implementação: Sem lei detalhada, o policial na delegacia não sabe como preencher o Boletim de Ocorrência. O juiz de primeira instância no interior pode se fingir de bobo.
Essa ausência legislativa não é "esquecimento". É um projeto. As forças conservadoras no Congresso trabalham ativamente para bloquear a cidadania LGBTI+. Eles sabem que, se aprovarem leis, estarão legitimando nossas vidas.
A Vida Real sem Lei
A falta de lei federal afeta o cotidiano:
Trabalho: Não temos uma lei federal que proíba explicitamente a demissão por orientação sexual. Temos princípios gerais, mas não uma lei clara como existe para outros grupos.
Educação: Não temos o "Plano Nacional de Educação" com as palavras "gênero" e "orientação sexual". Elas foram retiradas após pressão religiosa. Isso deixa professores expostos a perseguições quando tentam combater o bullying .
Segurança: Muitas delegacias não têm campo para "nome social" ou "motivação por LGBTfobia" no sistema de computador. Isso gera o "apagão de dados". Se não está no sistema, o crime "não existe" para a estatística.
Ensinar sobre o Brasil no papel é ensinar sobre esse vazio. É mostrar que nossas conquistas são reais, mas o alicerce ainda é frágil. A luta por leis federais continua sendo urgente.
Políticas Públicas: Onde o Estado Encontra a Vida
Se a Constituição é o sonho e a Lei é a regra, a Política Pública é a ação. Política pública é o posto de saúde funcionando, é a camisinha distribuída, é o livro didático na escola, é o assistente social no CRAS. É aqui que a batalha pela sobrevivência acontece.
A história das políticas LGBTI+ no Brasil é um "iô-iô". Avançamos, retrocedemos, avançamos de novo. Tudo começou não pelo governo, mas pela sociedade civil. Foram as ONGs e ativistas que começaram a distribuir preservativos nos anos 80/90, durante o auge da epidemia de HIV/Aids, quando o governo se omitia. O Estado aprendeu conosco.
O Programa Brasil Sem Homofobia (2004)
Foi o primeiro grande marco. O Governo Federal assumiu: "temos um problema de violência e precisamos agir". O programa tentou articular Educação, Saúde e Segurança. Foi revolucionário na época, mas sofreu ataques brutais. O famoso episódio do "Kit Gay" (que na verdade era um material didático anti-bullying chamado "Escola sem Homofobia") mostrou o limite do governo: quando os conservadores gritaram, o governo recuou e suspendeu o material. Isso nos ensinou uma lição amarga: políticas LGBTI+ são as primeiras a serem negociadas em troca de governabilidade.
A Política Nacional de Saúde Integral LGBT (2011)
Essa é, talvez, a política mais sólida que temos. Ela reconhece que não basta tratar a doença; é preciso olhar para quem é o paciente. Ela determinou que:
O nome social deve ser respeitado no cartão do SUS e na chamada de espera;
O "Processo Transexualizador" (hormonização e cirurgias) deve ser oferecido pelo SUS;
Profissionais de saúde devem ser treinados para não discriminar.
No papel, é lindo. Na prática? Sabemos que o acesso é desigual. As filas para cirurgias demoram anos. Faltam hormônios. Médicos no interior desconhecem a política. Mas a política existe. E isso é uma ferramenta de cobrança. Você pode chegar na UBS com a portaria impressa e dizer: "É meu direito" .
O Papel dos Conselhos e Conferências
O Brasil tem um sistema incrível de participação social. Existem Conselhos de Saúde, de Assistência Social, de Direitos Humanos, onde sociedade civil e governo sentam na mesma mesa. Foi nesses espaços que garantimos que o tratamento de HIV fosse gratuito e universal. Foi nesses espaços que incluímos a saúde trans no SUS. Participar desses conselhos é chato? Às vezes. É burocrático? Muito. Mas é lá que se decide para onde vai o dinheiro. Ativista que não entende de orçamento público perde a luta. Não adianta ter lei se não tem verba carimbada para executar a política .
Como o Estado Funciona (Um Guia Rápido de Educação Cívica)
Para fazer advocacy (incidência política) no Brasil, você precisa entender quem faz o quê. Muitas vezes, cobramos a pessoa errada. Vamos desenhar o "Mapa do Poder" básico:
Legislativo (Vereadores, Deputados, Senadores):
Função: Criar leis e fiscalizar o Executivo (e aprovar o orçamento!).
Onde agir: Ir às audiências públicas, mandar e-mail para gabinetes, pressionar em época de votação do orçamento para garantir verba para a diversidade.
Executivo (Prefeito, Governador, Presidente e seus Secretários/Ministros):
Função: Executar a política. Construir o posto, contratar o médico, treinar o policial.
Onde agir: Cobrar as Secretarias (Saúde, Direitos Humanos, Cultura). Pedir reuniões. Participar de Conselhos.
Judiciário (Juízes, Desembargadores, Ministros):
Função: Julgar conflitos e garantir a Constituição.
Onde agir: Entrar com ações (via Defensoria Pública ou advogados), fazer denúncias ao Ministério Público.
Ministério Público (Promotores e Procuradores):
Função: É o "advogado da sociedade". Fiscaliza se a lei está sendo cumprida.
Onde agir: Se a Prefeitura não está cumprindo a lei do nome social, você denuncia ao MP. O Promotor pode abrir um inquérito e processar a Prefeitura. O MP é um dos maiores aliados do ativismo LGBTI+.
Defensoria Pública:
Função: Advogado de quem não pode pagar e defensor dos direitos humanos.
Onde agir: Quase toda Defensoria tem um "Núcleo de Diversidade". Eles ajudam a retificar nome, processar quem discrimina, garantir remédio.
Saber qual porta bater economiza tempo e salva vidas.
Transformando Letra de Lei em Vida Vivível
Chegamos ao coração deste módulo. De que adianta o STF dizer que homofobia é crime se, na sua cidade, a polícia ri da sua cara? De que adianta a Constituição garantir dignidade se a sua família te expulsa?
O desafio do ativismo brasileiro é o Gap de Implementação (o buraco entre a lei e a vida). Como preenchemos esse buraco? Com Advocacy Territorial.
Transformar lei em vida vivível significa:
Educação Popular em Direitos: O jovem da favela precisa saber que ele não pode ser revistado de forma humilhante. A travesti precisa saber que a UBS é obrigada a atendê-la. Informação é poder. Se eu não sei que tenho o direito, eu não cobro.
Acompanhamento e "Blitz": Coletivos que vão juntos à delegacia registrar B.O. A presença do grupo inibe o preconceito institucional.
Controle Social: Ir à reunião do Conselho de Saúde e perguntar: "Cadê a verba da saúde LGBT?". Ler o Diário Oficial.
Litigância Local: Acionar a Defensoria Pública local para processar aquele bar que expulsou o casal gay. Quando dói no bolso, o estabelecimento aprende.
Disputa de Narrativa: O Brasil conservador tenta dizer que direitos LGBTI+ são "privilégios" ou "ameaças". Precisamos explicar que acolhimento não é doutrinação. Que dignidade não é ameaça à família.
A Constituição entrega o princípio (a ideia). O território cobra a execução (a prática). Nós somos a ponte entre os dois.
Atividade Prática: Jogo "Mito ou Verdade" (Edição Brasil no Papel)
Para fixar esse conteúdo denso, vamos fazer um exercício rápido de verificação. É ótimo para usar em rodas de conversa com outros ativistas.
AFIRMAÇÃO 1: "No Brasil, existe uma lei aprovada pelo Congresso que criminaliza a homofobia, assim como existe a Lei Maria da Penha."
RESPOSTA: MITO.
Explicação: O Congresso nunca aprovou essa lei. O que temos é uma decisão do STF (ADO 26) que determinou o uso da Lei do Racismo para punir LGBTfobia até que o Congresso faça a lei. Na prática, é crime, mas a origem jurídica é diferente.
AFIRMAÇÃO 2: "Pessoas trans precisam fazer cirurgia de redesignação sexual para poder mudar o nome no documento."
RESPOSTA: MITO.
Explicação: Desde 2018 (decisão do STF na ADI 4275), não precisa de cirurgia, nem hormônio, nem laudo. É autodeclaração no cartório.
AFIRMAÇÃO 3: "A Constituição de 1988 não cita a palavra 'LGBTI', mas garante nossos direitos mesmo assim."
RESPOSTA: VERDADE.
Explicação: Ela usa os princípios da "Dignidade da Pessoa Humana" e da "Igualdade sem distinção de qualquer natureza". O STF interpreta que isso inclui orientação sexual e identidade de gênero.
AFIRMAÇÃO 4: "Se um médico do SUS se recusar a me chamar pelo nome social, ele está cometendo apenas uma falta de educação."
RESPOSTA: MITO.
Explicação: Ele está violando a Portaria da Política Nacional de Saúde Integral LGBT e o Decreto do Nome Social (onde houver). É uma violação administrativa e ética, passível de denúncia na ouvidoria e no conselho de medicina, além de poder ser enquadrada como injúria ou racismo/transfobia.
AFIRMAÇÃO 5: "Casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil pode ser anulado a qualquer momento se o Presidente quiser."
RESPOSTA: MITO.
Explicação: O casamento é garantido por decisão do STF e resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Um Presidente não pode anular isso por decreto. Seria necessário uma nova Constituição ou uma manobra legislativa muito complexa e inconstitucional. Temos segurança jurídica, mas precisamos ficar vigilantes.
O Brasil é Nosso
Terminamos o Módulo 4. Sei que a sensação pode ser um misto de orgulho ("temos muitos direitos!") e frustração ("nada funciona direito!"). Isso é normal. Isso é ser brasileiro.
O Brasil no papel é um país generoso, inclusivo e justo. O Brasil na rua é duro, violento e desigual. Mas não desanime. A lei escrita é uma ferramenta poderosa. Antes de 2011, não podíamos casar. Antes de 2018, não podíamos ter nome. Antes de 2019, xingar uma travesti não era crime. As coisas mudam. Elas mudam porque pessoas como você, como nós, insistiram em bater na porta do Estado e dizer: "Eu existo e exijo minha dignidade".
A Constituição de 88 é um escudo. Use-o. As políticas públicas são ferramentas. Use-as. O sistema de justiça é um campo de batalha. Ocupe-o.
Nos próximos módulos, vamos descer ainda mais para a prática. Vamos falar de Saúde Integral, de Comunicação e de Como Construir Projetos. Vamos aprender a cuidar do corpo que a lei protege (ou deveria proteger) e a gritar alto para que a sociedade nos ouça.
O Brasil ainda não é o país dos nossos sonhos, mas é o nosso país. E não vamos arredar o pé até que a promessa de 1988 ("livres e iguais") seja verdade para cada letra da nossa sigla.
MATERIAL COMPLEMENTAR DE ESTUDO (Para fixação)
VÍDEO
PODCAST
INFOGRÁFICO

MATERIAL DE APOIO E REFERÊNCIAS (Para quem quer ir além)
Constituição Federal de 1988: Recomendo ler o Artigo 5º. É a "bíblia" da cidadania.
Decisões do STF: Procure pelos resumos da ADO 26 (Criminalização) e ADI 4275 (Nome Social). O site do STF tem cartilhas explicativas.
Política Nacional de Saúde Integral LGBT: Disponível no site do Ministério da Saúde. É essencial conhecer para cobrar na UBS.
Manual de Retificação de Nome e Gênero: Várias ONGs e Defensorias (como a ANTRA) têm manuais passo-a-passo de como mudar o documento no cartório. Baixe e tenha no celular para ajudar quem precisa.
* Este conteúdo faz parte do projeto "Fortalecendo Vozes LGBTI+", realizado pelo Instituto Multiverso com apoio da MPact Global Action. Nosso compromisso é com a educação acessível e a defesa intransigente dos direitos humanos na América Latina e Caribe.



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