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'Profissão Repórter' desta terça mostra como a vida sexual sem cuidados pode facilitar a transmissão de infecções



O número de casos de HIV em pessoas entre 15 e 29 anos subiu 168% em dez anos, passando de 6.625 em 2012 para 17.802 em 2022, de acordo com o Ministério da Saúde. O 'Profissão Repórter' desta terça-feira, dia 26, revela novas formas de tratamento das infecções sexualmente transmissíveis e alerta sobre o aumento do risco de contaminação com o uso de novas substâncias e drogas sintéticas.


Durante três dias, a repórter Mayara Teixeira acompanha o atendimento no pronto-socorro do Hospital Emílio Ribas, o maior hospital de infectologia da América Latina e a principal referência no tratamento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil. Em 2011, as equipes de reportagem também estiveram no Hospital para gravar um programa sobre HIV e conversaram com o infectologista Bernardo Porto Maia, hoje chefe do atendimento.

À repórter, Bernardo afirma que muita coisa mudou nesses mais de dez anos, incluindo as novas formas de tratamento. "Hoje as medicações são muito mais potentes e, ao mesmo tempo, com muito menos efeitos colaterais", conta o infectologista. Para explicar como as profilaxias funcionam, a equipe do ‘Profissão Repórter’ vai à Estação Prevenção, na região central de São Paulo, e no Centro de Referência e Treinamento IST/Aids, locais onde as medicações são distribuídas gratuitamente pelo SUS.

O dançarino Jon Diegues, de 25 anos, vive com HIV há quatro e usa as redes sociais para conscientizar jovens sobre os riscos de se infectar e também para trazer informações sobre o que significa viver com o vírus atualmente. "Não é mais uma sentença de morte como antes. Se eu tomar meus remédios direitinho, eu tenho uma vida normal, mas também é preciso não romantizar a infecção", afirma.

Em uma incursão na noite de Sāo Paulo, a repórter Danielle Zampollo conhece adeptos de uma nova prática: o "chemsex" ou sexo químico. Um médico, adepto, conta que chegou ao "chemsex" por curiosidade e explica ser uma prática sexual com uso de substâncias, que podem ser drogas químicas para prolongar ou intensificar o sexo. Sob efeito delas, há alto risco de descuido com a contaminação por ISTs, incluindo o HIV. No caso da metanfetamina, droga sintética que se espalhou por grandes cidades brasileiras durante a pandemia, um praticante pode ficar dias acordado. Nesse período, sob efeito da droga, a pessoa deixa de lado o uso de preservativo ou da PREP, a Profilaxia Pré-Exposição que evita a contaminação por HIV.

O ‘Profissão Repórter’ mostra o trabalho de voluntários que, cientes dessa realidade, circulam de van por São Paulo para fazer testes de ISTs, explicar a importância da prevenção e alertar para os riscos de misturas de drogas. Lucas Raniel, do coletivo Multiverso, que faz esse trabalho, defende a testagem como método de prevenção de ISTs.

Segundo o médico epidemiologista Fábio Mesquita, fundador da Associação Internacional de Redução de Danos, não são apenas as novas drogas que aumentam o risco de transmissão de infecções. Na reportagem, ele alerta que o uso da cocaína e de bebidas alcoólicas também é perigoso. "Elas tiram a consciência da pessoa e vulnerabilizam. A pessoa fica menos consciente para ter a precaução de usar camisinha. Qualquer tipo de substância que altere a consciência da pessoa é considerado sexo químico", conclui o médico.




Por: Anderson Ramos

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